Buda

Buda Gautama

Buda, Buda Gautama, Buddha

Buda

Buda Gautama representa a essência da religiosidade. Não foi o fundador do Budismo, uma vez que o Budismo é um subproduto, mas marcou o início de um tipo de religião completamente diferente. Buda Gautama é o fundador de uma religião «não religiosa», no sentido em que veio propor não uma religião mas a religiosidade, ou seja, ele trouxe uma viragem radical à história da consciência humana. Antes de Buda houve religiões, mas não houve religiosidade pura. O ser humano não tinha, ainda, a maturidade suficiente. Com Buda, a humanidade entra numa fase de maturidade. Embora nem todos os seres humanos tenham acompanhado esse movimento de amadurecimento, Buda anunciou o acontecimento, e abriu o caminho.

É preciso tempo para os seres humanos compreenderem uma mensagem tão profunda. A mensagem de Buda é a mais profunda de todos os tempos. Ninguém, até hoje, conseguiu fazer o trabalho que Buda fez da forma como ele o fez. Ninguém mais representa essa fragrância pura. Outros fundadores de religiões, outros seres iluminados, estabeleceram um compromisso com os seres a quem se dirigiram, enquanto Buda não estabeleceu nenhum compromisso, daí a sua pureza. Buda não se importa se é ou não compreendido, apenas lhe importa a verdade, e di-lo sem se preocupar se quem ouve entende ou não.

Por um lado, esta postura sugere dureza, mas, por outro, traduz uma grande compaixão. A verdade tem de ser dita tal como é. No momento em que há compromisso, no instante em que se desloca a verdade para o nível comum da consciência humana, a verdade perde a alma, torna-se superficial, perde vida. Não se pode trazer a verdade para o nível em que operam os seres humanos. Pelo contrário, são estes que têm de ser conduzidos ao nível da verdade, e esse é o grande trabalho de Buda.

Buda Gautama inaugurou uma espiritualidade não repressiva e não ideológica, o que é um fenómeno extremamente raro. A espiritualidade comum é muito repressiva, está dependente da repressão. Por outro lado, não é verdadeiramente transformadora e atrofia o ser humano. Não liberta. Pelo contrário, escraviza e oprime. É desprovida de beleza. É fundamental não esquecer que Buda não é repressivo. Se o leitor se cruzar com monges budistas que sejam repressivos, isso significa que não compreenderam Buda e que impregnaram nos seus ensinamentos as suas próprias patologias.

Buda não é ideológico. Ele não nos traz uma ideologia porque todas as ideologias pertencem à mente. Sendo da mente, elas não podem levar-nos para lá da mente. Nenhuma ideologia pode ajudar- -nos a transcender a mente. Nenhuma ideologia pode ser uma ponte que nos leve para lá da mente. Só quando nos desprendemos de todas as ideologias podemos libertar-nos da mente.

Buda tão-pouco acredita nos ideais, pois os ideais geram tensão e conflito no ser humano. Os ideais dividem e geram angústia. Um ser humano é de uma determinada forma, e os ideais preconizam que contrarie a sua própria natureza, levando-o a dividir-se entre esses dois pontos de referência, ou seja, a fragmentar-se. Os ideais criam infelicidade, amargura, esquizofrenia. Quanto mais ideais existirem, mais seres esquizofrénicos, divididos, haverá. Apenas uma consciência não ideológica pode evitar essa cisão interior. Como pode um ser dividido ser feliz, ser silencioso, conhecer a paz ou a quietude?

Um ser ideológico luta continuamente consigo próprio, vive em permanente conflito e confusão porque não consegue discernir quem é verdadeiramente, não consegue decidir se é o ideal ou se é o que realmente é. Um tal ser não confia em si próprio, teme-se a si próprio e perde a confiança. Um homem que perde a confiança perde toda a sua glória, e prontifica-se a ser escravizado por um sacerdote ou por um político, ou a cair numa armadilha.

Por que razão as pessoas se tornam seguidoras? Porque caem em armadilhas? O que leva as pessoas a seguir um Estaline, um Hitler ou um Mao Tsé-Tung?Porquê?! Porque se tornaram inseguras, frágeis e altamente vulneráveis às influências do caos ideológico, perdendo a sua autonomia e aceitando nas suas vidas a falsa necessidade de se apoiarem em alguém. A generalidade das pessoas perdeu a capacidade de se movimentar com autonomia; elas não sabem quem são, e passaram a necessitar que alguém no exterior lhes diga quem são, ou seja, aceitam e desejam que lhes seja dada uma identidade. Esqueceram-se de quem são e da sua própria natureza.

Haverá sempre um Adolf Hitler, ou um Estaline, ou um Mao Tsé- -Iung, a menos que o ser humano se desprenda de toda e qualquer ideologia. Repito: de toda e qualquer ideologia, sem distinção entre as mais e as menos nobres. Todas as ideologias são perigosas. Na verdade, as nobres são as mais perigosas, pois são as mais sedutoras, as mais sugestivas, as mais convincentes. As ideologias são doenças, pois, tal como elas, geram desconforto na medida em que dividem o ser entre aquilo que verdadeiramente é e o ideal que preconizam. Por outras palavras, o «eu» real passa a ser condenado e o «eu» que não é passa a ser aplaudido, e esta situação gera problemas. Mais tarde ou mais cedo surge a neurose, a psicose ou outras perturbações.

Buda trouxe-nos uma forma de vida não repressiva e não ideológica. É por esse motivo que não fala de Deus, nem do Paraíso, nem do futuro. Buda não nos traz nada a que nos possamos agarrar. Pelo contrário, desafia-nos a despojarmo-nos de tudo, mesmo do próprio «eu». E prossegue, chegando, finalmente, ao ponto de nos tirar a própria ideia do «eu», ou seja, do ego, deixando-nos apenas com um vazio puro, o que constitui um desafio muito difícil.

A grande dificuldade reside no facto de nos termos esquecido completamente de dar. Só sabemos receber. Queremos ter tudo: o curso, a esposa, as férias… Chegamos ao ponto de querermos ter sono, sendo que o sono nunca se tem, uma vez que é um estado de rendição: para dormirmos temos de nos render (ao sono). Não temos um marido, ou uma esposa. Dizer-se que se tem um, ou a outra, é um acto de desrespeito! Não se tem uma pessoa. Pode ter-se uma casa, mas nunca um marido ou uma esposa! A nossa linguagem traduz a nossa mente, e a verdade é que não sabemos dar, não sabemos ceder, não sabemos desapegar-nos, não sabemos permitir que as coisas aconteçam.

Buda tira-nos todas as ideias, tira-nos o futuro e, finalmente, subtrai-nos o que é mais difícil de darmos: o «eu», deixando-nos perante um vazio virgem, puro e inocente a que chama nirvana. No entanto, o nirvana não é uma meta, mas apenas esse vazio. Quando nos despojamos de tudo o que acumulámos, quando deixamos de acumular, e quando deixamos de ser avarentos e dependentes, esse vazio irrompe naturalmente nas nossas vidas, pois é algo que sempre esteve presente.

O vazio está presente, mas acumulámos tantas inutilidades que deixou de ser visível. À semelhança do que se passa numa casa, quando acumulamos muitas coisas ficamos sem espaço, correndo o risco de chegarmos ao ponto em que se torna difícil movimentarmo-nos, mas a verdade é que o espaço continua lá. É importante pensar profundamente nisto. O espaço não foi a parte nenhuma, continua lá. Fomos nós que acumulámos peças de mobiliário, equipamentos, objectos, e são essas coisas que ocupam o espaço. Se as removermos, ele torna-se visível, pois esteve sempre lá, escondido pelo mobiliário mas não destruído. Ou seja, o espaço não abandonou a casa por um único instante.

O mesmo se passa com o nosso vazio interior, o nosso nirvana, o nosso nada.

Buda não nos apresenta o nirvana como um ideal. Em vez de nos coagir, liberta-nos. Buda ensina-nos a viver, não por um objectivo, não para atingir seja o que for, mas para sermos, a cada momento, felizes. Buda ensina-nos a viver em consciência, não porque a consciência nos traga o que quer que seja, pois a consciência não é um meio para atingir um fim e sim um fim em si mesmo, uma vez que o seu valor é intrínseco.

É importante que fique claro que Buda não ensina o desprendimento do mundo. As pessoas são do mundo, e os sacerdotes continuam a insistir no tema do outro mundo. No entanto, esse outro mundo talvez não seja assim tão distante deste, e nunca poderia sê-lo, pois trata-se apenas de um modelo melhorado do mundo em que vivemos neste instante. Como é que se cria °outro mundo, se apenas conhecemos este mundo? Podemos melhorá-lo, decorá-lo com afinco, retirar algumas coisas feias e substituí-las por outras que consideremos mais belas, mas o que obtemos é sempre uma criação que parte da nossa experiência neste mundo, e é por esse motivo que o outro mundo não é nem nunca poderá ser algo de muito diferente. O outro mundo é sempre uma continuidade originada na mente. É sempre um jogo da imaginação.

O outro mundo terá belas mulheres, evidentemente mais belas do que as deste mundo, e terá os mesmos tipos de prazeres, embora mais permanentes e estáveis, mas, ainda assim, da mesma natureza. Os alimentos serão melhores e mais saborosos, mas nem por isso deixarão de ser alimentos. O outro mundo terá casas talvez feitas de ouro, mas ainda assim casas. No fundo, tudo se repete.

Nas escrituras sagradas pode ler-se a descrição do Paraíso, que não é mais que uma versão melhorada do mundo real, e nem por sombras um «outro mundo». É por essa razão que eu afirmo que a componente sobrenatural da generalidade das religiões nada tem de verdadeiramente sobrenatural. Trata-se apenas de uma projecção deste mundo no futuro, criada com base na experiência neste mundo. Nessa projecção não existe pobreza, nem infelicidade, nem doenças, nem paralisia, nem cegueira, nem surdez. As coisas de que não gostamos neste mundo são banidas dessa criação do outro mundo, no qual abundam as coisas de que gostamos. Na verdade, o outro mundo nunca chega a ser algo de novo.

No entanto, todas as escrituras referem o Paraíso, e os diferentes paraísos mais não são do que versões melhoradas deste mundo. As imagens podem ser impressas em papel de pior ou melhor qualidade, com tinta de pior ou melhor qualidade, com técnicas de impressão mais ou menos inovadoras, com ilustrações mais ou menos coloridas, mas a história é basicamente a mesma, e não poderia ser de outra maneira.

Buda não fala na dimensão sobrenatural ou no outro mundo, limitando-se a ensinar-nos a viver neste mundo, a viver com consciência e sabedoria, para que nada perturbe, contamine ou envenene o nosso vazio, para que possamos manter a nossa integridade e estar no mundo sem que o mundo nos invada por dentro.

A espiritualidade ligada à dimensão sobrenatural é opressiva, destrutiva e sadomasoquista. Em suma, é patológica. A espiritualidade de Buda, pelo contrário, tem um sabor diferente: o sabor da inexistência de um ideal, da inexistência de um futuro e da inexistência de um «outro mundo». É uma espiritualidade ligada ao momento presente, como o desabrochar de uma flor. Não exige seja o que for, uma vez que já tudo foi dado. A espiritualidade de Buda convida-nos a aprofundar a nossa consciência, para que possamos ver mais, ouvir… mais e ser mais.

É fundamental que tenhamos presente que o ser é proporcional à consciência. Por outras palavras, quanto mais expandida é a consciência, mais abrangente é o ser. A consciência determina o ser. A consciência põe o ser em movimento. Uma pessoa alcoolizada, ou adormecida, perde o ser. Já reparou que quando se mantém consciente há uma qualidade específica que está presente – uma concentração, um enraizamento? Quando estamos conscientes sentimos a solidez do nosso ser, que se torna quase tangível, e quando estamos inconscientes, quando nos arrastamos ou estamos sonolentos, há como que uma perda do sentido do ser, proporcional ao grau de perda da consciência.

Assim, toda a mensagem de Buda gira em torno da consciência, e por nenhuma razão que não a de sermos conscientes, porque é a consciência que determina o ser, é a consciência que nos esculpe e cria. A consciência pode criar um eu tremendamente diferente do ser que o indivíduo julga que é. Não é fácil imaginar isto – um eu cujo «Eu» desapareceu, um ser despojado da ideia do eu, um ser indefinível… um vazio puro, uma infinidade, um vazio sem fronteiras.

 

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O Nirvana

O termo «nirvana» é negativo. Em termos literais significa «apagar uma vela».

Buda Gautama utilizou esta palavra para designar o estado de consciência supremo. Poderia ter escolhido uma palavra positiva. Na Índia são muitos os termos positivos que designam esse estado: Moksha (liberdade, libertação), Kaivalya (unidade, unidade absoluta), Brahmanubava (a experiência suprema). No entanto, Buda Gautama escolheu uma palavra estranha, nunca anteriormente utilizada no contexto da espiritualidade. «Apagar uma vela?» Que relação poderá ter esta ideia com a experiência espiritual?

Segundo Buda, o nosso alegado «eu» não é mais que uma chama alimentada pelos nossos desejos. Quando todos os desejos desaparecem, a vela desaparece, dissolve-se no vasto universo sem deixar qualquer vestígio, e torna-se impossível recuperá-la. Continua lá, mas desprendeu-se para sempre de toda e qualquer identidade, de toda e qualquer limitação, daí que Buda tenha preferido a palavra «nirvana» ao termo «realização», que, de certa forma, pode conotar- -se com alguma superioridade egoística de se ser uma pessoa realizada, ou um ser liberto, ou iluminado, um ser que encontrou a sua meta. Em todo o caso, a utilização de uma tal palavra pressupõe a permanência do «eu».

O que Buda nos diz é que o «eu» se perde, e quem irá encontrá-lo? Há uma dispersão, uma vez que o ser não é senão uma combinação de elementos, e cada um desses elementos retoma à fonte original, ou seja, a identidade individual extingue-se, e cada ser passa a existir enquanto universo…

Por ter consciência da tendência humana de alimentar o ego com palavras positivas, Buda fez questão de evitá-las. As palavras negativas, pelo contrário, não têm o efeito de alimentar os egos, e por isso a sua utilização contribui para manter a integridade do ser. Não se pode poluir algo que não seja. No entanto, as pessoas temiam proferir a palavra, e diziam-na com temor… nirvana.

Disseram milhares de vezes a Buda:
– A tua palavra «nirvana» não é estimulante, não gera o desejo de se atingir alguma coisa. Pelo contrário, «verdade suprema», «auto-realização» e «realização de Deus» são expressões que criam desejos muito intensos. A tua palavra não gera desejo.

Buda repetiu inúmeras vezes a palavra «nirvana», sobre a qual dizia:
– Essa é a sua beleza. Todas as palavras que criam desejo em nada ajudam o ser, pois os desejos são a causa profunda da infelicidade. O desejo gera tensão, e o nirvana liberta-nos totalmente dessa tensão. Não há nada a desejar. Pelo contrário, o mais importante é prepararmo-nos para um processo de dissolução, no qual o ego não tem lugar, daí a palavra «nirvana» se manter não poluída.

Nenhuma outra palavra se manteve não poluída, e é justamente a negatividade da palavra «nirvana» que o permite. Só um grande mestre pode dar à humanidade algo que não seja passível de ser poluído, algo incorruptível. Vinte e cinco séculos e mantém-se incorruptível… não há forma… O nirvana irá dissolver os nossos seres, mas nós nada podemos contra o nirvana.

«Nirvana» é, seguramente, a mais pura das palavras. Até a sua sonoridade, independentemente de conhecermos ou não o seu significado, é tranquilizadora, e transmite uma serenidade e um silêncio profundos que nenhuma outra palavra – a realização de Deus, o absoluto, o supremo – transmite. Quando escutamos a palavra «nirvana» é como se o tempo parasse, como se não houvesse um lugar aonde ir. O momento em que a escutamos é um momento em que poderíamos dissolver-nos, desaparecer, sem deixar rasto.

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Quando Buda nasceu, os grandes astrólogos disseram ao rei:
– Temos medo, mas é nosso dever alertar-te para o seguinte: este recém-nascido ou vai tornar-se um chakravartin (um ser que domina o mundo), ou então um pedinte que nada tem.
Entre dois extremos…
O rei era um ancião e aquele era o seu único filho tardiamente nascido. Perguntou aos astrólogos como poderia evitar que o filho renunciasse ao mundo e se tornasse um mendigo. No entanto, aqueles astrólogos não eram conhecedores da mente humana, e nada sabiam de psicologia. Os astrólogos têm ideias sobre estrelas distantes, cuja luz demora milhares de anos-luz a tocar a Terra… Que loucura os homens pensarem que os seus destinos possam ser determinados por milhões de estrelas longínquas! Há uma razão pela qual a astrologia continua a manter a sua importância: a grande satisfação que proporciona aos seres humanos a ideia de que o Universo se interessa por eles, a ideia de que até as estrelas mais distantes fazem alguma coisa por eles, a ideia de que não são pessoas vulgares, a ideia de que marcam uma diferença.

A verdade é que essas estrelas distantes nem sequer sabem que existimos, nunca poderiam sabê-lo, mas a astrologia alimenta bem o ego, e os astrólogos têm vindo a explorar este facto desde sempre. É evidente que os astrólogos nos exploram, a astrologia paga-se, a troco de um grande ego bem alimentado. Pagamos o facto de nos sentirmos mais importantes que a maior estrela do firmamento; aliás, pagamos o facto de as estrelas girarem à nossa volta!

No entanto, aqueles pobres astrólogos eram bem menos inteligentes do que Sigmund Freud! Eis o que responderam ao rei:
– Se não queres que o teu filho renuncie ao mundo, há alguns preparativos que devem ser feitos.

Na Índia havia três estações distintas, situação que mudou com as explosões atómicas que ocorreram em diversas regiões do mundo. Antes disso, todos os anos as chuvas começavam e terminavam nos mesmos dias. Os invernos começavam todos os anos no mesmo dia, terminando precisamente quatro meses depois. Foi rigorosamente assim durante séculos e séculos. Presentemente já não é assim, mas no tempo de Buda era assim que acontecia. O seu pai mandou construir três palácios – um para cada estação do ano. O palácio para o Verão situava-se numa colina. Era belíssimo, fresco e verde. Foram tomadas todas as providências para que Buda nunca se decepcionasse com o mundo. O palácio para o Inverno tinha um ambiente quente e aconchegado.

Os astrólogos disseram ao rei:
– Fá-lo acompanhar-se por belas raparigas desde a mais tenra idade, para que quando se torne homem tenha por perto todas as beldades do reino.

Além disso, aconselharam o rei a não permitir que o seu filho visse anciãos ou cadáveres, para que não pudesse questionar-se sobre o destino dos seres humanos. A ideia era manter o jovem totalmente à margem das realidades da vida, criando para ele um mundo de sonho, pois estavam persuadidos de que, se tivesse tudo, nunca teria motivos para renunciar.

Era assistido pelo melhor médico do reino, e até os jardineiros dos palácios foram instruídos no sentido de não permitirem que Buda visse, sequer, urna flor a murchar ou urna folha a empalidecer. Todas as noites os vestígios de tudo o que pudesse sugerir a morte eram removidos. A ideia era que Buda apenas pudesse ver belas flores no auge da sua juventude e folhas permanentemente verdes. O rei conseguia controlar tudo isto, e fê-lo, mas saiu-lhe o tiro pela culatra. Aqueles astrólogos idiotas não tiveram em conta um facto muito simples: quando damos tudo a um ser humano e o mantemos ignorante das coisas feias que o rodeiam, é fatal que esse ser humano acabe por se aborrecer e comece a perguntar-se se o mundo é apenas aquilo que tem à sua frente, se o mundo é somente aquela monotonia. O tédio instala-se. E foi precisamente isso o que aconteceu. Buda acabou por se aborrecer das mulheres permanentemente belas, das flores permanentemente belas. Durante quanto tempo é possível manter a mente em silêncio? Os astrólogos foram os responsáveis pelo facto de Buda ter renunciado ao reino. Se lhe tivesse sido permitido viver a vida vulgar de qualquer ser humano, talvez o Buda não tivesse surgido. De certa maneira, os astrólogos, sem suspeitarem, prestaram um grande serviço à humanidade.

A história é belíssima. Havia um festival anual na capital que costumava ser inaugurado pelo príncipe herdeiro do trono. O festival durava algumas semanas, e era muito diversificado em termos de actividades, jogos atléticos e espectáculos. Coube a Buda inaugurá-lo no seu vigésimo nono aniversário. No percurso para o festival foram tornadas todas as precauções. No entanto, a existência tem sempre urna forma de nos tocar. Ninguém pode permanecer totalmente fechado para o mundo, corno se estivesse sepultado – só mesmo um morto. Para um ser vivo existem sempre pontos de permeabilidade à existência que nos permitem tornar consciência da realidade. Nem astrólogos nem reis podem superar a inteligência intrínseca da existência.

Foram tornadas todas as precauções para que, no percurso entre o palácio e o recinto do festival, fossem afastados os velhos, e foi interdito o transporte de cadáveres – nada que desse a Buda motivos para se questionar. No entanto, a realidade não pode ser evitada durante muito tempo. No trajecto percorrido pela carruagem entre o palácio e o recinto do festival, Buda avistou um ancião que era surdo, e que por esse motivo não se inteirou da interdição de passagem naquela estrada, desconhecendo assim que deveria manter-se em casa ou ir a outro lado qualquer. Como era surdo e não ouviu a ordem, saiu de casa tal como costumava fazer todos os dias e dirigiu-se ao mercado.

Pela primeira vez em vinte e nove anos, Buda viu um velho quase moribundo, e perguntou ao cocheiro:
– O que é aquilo?! O que é que aconteceu àquele homem? Nunca vi nada assim!
O cocheiro amava Buda como a um filho, e por isso não pôde mentir, e respondeu:
– Apesar de estar a desobedecer às ordens do teu pai, não posso mentir-te. Foste impedido de ver os homens a envelhecer. Toda a gente envelhece. Eu vou envelhecer. A vida é mesmo assim.
Ao ouvir isto, Buda perguntou:
– Um dia eu serei velho como aquele homem?
O cocheiro retorquiu:
– Tenho de contar-te a verdade. Bem gostaria que isso não te acontecesse, mas são as leis da natureza, não há nada a fazer. Da mesma forma que deixaste de ser uma criança para passares a ser um jovem, a tua juventude dará lugar à velhice.

E então, nesse preciso momento, alguém morreu. A morte não pode ser evitada, nem adiada. Não pode dizer-se à morte: «Não podes acontecer nesta estrada, vai para outro sítio qualquer!» A morte não está nas nossas mãos. Naquele dia e naquela estrada morreu alguém, as pessoas choraram, e ali estava um cadáver.
Buda perguntou:
– O que aconteceu? Porque choram as pessoas? Ele nunca vira ninguém chorar. Não sabia o que eram lágrimas. Nunca vira um morto. Perguntou:
– O que aconteceu a este homem? Porque não respira?
O cocheiro esclareceu-o:
– Este é o segundo estágio. Primeiro viste um ancião. Também esse morrerá brevemente. Foi isso que aconteceu a este homem. Buda perguntou:
– E eu? Também morrerei um dia?
O cocheiro, embora com temor do rei, por ser um homem íntegro respondeu:
– A verdade é a verdade, ninguém pode negá-la. Também o teu pai, que é rei, morrerá um dia. Eu morrerei, e tu também. A morte começa no instante em que nascemos. Após o nascimento, a morte torna-se um acontecimento inevitável.

Nesse instante preciso, Buda e o cocheiro passaram por um sannyasin, um nómada em busca da verdade. Os astrólogos tinham dito ao rei:
– Não permitas que o teu filho se aproxime de sannyasins, pois essas são as pessoas que renunciaram a tudo e que ensinam que este mundo é ilusório, que os desejos não nos conduzem a parte alguma, que a maior parte das pessoas desperdiça a sua vida e que a morte se aproxima a cada momento. Os sannyasins devem ser evitados.

Assim, durante vinte e nove anos Buda nunca soube que havia seres que se esforçam por encontrar qualquer coisa que esteja para além da vida e da morte. Aquele sannyasin vestido de vermelho pareceu-lhe muito estranho. É perfeitamente natural que um homem de vinte e nove anos que nunca viu um sannyasin se espante.
– E este homem? Já vi muita gente, mas nunca tinha visto um homem vestido apenas com uma túnica solta e com uma taça de pedinte na mão. Que espécie de homem é ele?
O cocheiro esclareceu-o.
– Este homem compreendeu que a beleza se transforma em fealdade, que a juventude cede lugar à velhice, que a vida se torna morte, e está a tentar descobrir se existe alguma coisa eterna, que não seja afectada pela juventude, pela velhice e pela doença. É um sannyasin, que renunciou ao mundo comum. É um ser que procura a verdade.

Neste estágio da conversa, quando já se encontravam muito próximos do recinto do festival, Buda disse ao cocheiro:
– Dá meia-volta. Não irei ao festival da juventude. Se a juventude se torna velhice, doença e morte, e se é isso que me irá acontecer, isso significa que eu desperdicei vinte e nove anos de vida, que a minha vida não passou de um sonho. Já não sou novo e já não tenho qualquer interesse em ser um príncipe. Esta noite irei renunciar e partirei em busca da verdade.

As advertências dos astrólogos ao rei pareceram senso comum, mas o senso comum é superficial. Na verdade, os astrólogos não conseguiram imaginar algo muito simples: que não se pode manter um ser humano afastado da realidade durante uma vida inteira. É mais sábio e mais sensato permitir que se inteire desde logo do mundo que o rodeia, caso contrário o confronto com a realidade poderá surgir como uma grande explosão na sua vida, e foi justamente isso que aconteceu com Buda. Nessa mesma noite Buda fugiu do palácio onde tinha tudo aquilo com que qualquer pessoa pode sonhar.

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Buda procurou infatigavelmente a verdade durante seis anos, como nenhum ser antes de si. Fez todos os esforços possíveis e procurou todos os mestres ao seu alcance. Não houve um único mestre que Buda não tivesse contactado. Rendeu-se a todos eles, e cumpriu de forma tão perfeita os preceitos de cada um que até os próprios mestres chegavam a invejá-lo. Invariavelmente, todos chegaram a um ponto em que disseram:
– Isto é tudo o que eu tenho a transmitir-te, e se nada está a acontecer não é por tua causa, pois estás a fazer tudo perfeitamente. Nada mais posso fazer por ti, terás de descobrir outro mestre.

Isto raramente acontece; a generalidade dos discípulos não tem um comportamento assim tão exemplar, pelo que os mestres podem sempre dizer:
– É por não estares a fazer bem aquilo que te indiquei que nada está a acontecer.

Buda, no entanto, fazia tudo com uma tal perfeição que nenhum mestre pôde dizer-lhe que não estava a ir bem, e por isso todos eles tiveram de aceitar a derrota, declarando:
– Isto é tudo o que temos a transmitir-te, e tendo tu cumprido perfeitamente todos os preceitos, se nada está a acontecer, então terás de procurar outro mestre. Não me pertences.

Buda procurou incessantemente durante seis anos. Por vezes aplicou técnicas absurdas que lhe foram ensinadas. Houve alguém que lhe disse que deveria jejuar, e ele jejuou ao longo de vários meses. Jejuou continuamente durante seis meses, ingerindo apenas uma pequena quantidade de alimentos a cada quinze dias, duas vezes por mês. Enfraqueceu de tal forma que ficou esquelético. Perdeu toda a carne que lhe cobria os ossos, ao ponto de parecer um cadáver. Ficou tão fraco que deixou de conseguir andar, ou sequer de fechar os olhos para meditar, pois se o fizesse cairia por terra instantaneamente.

Certa vez estava a banhar-se no rio Niranjana, perto de Bodhgaya, e estava de tal forma débil que não tinha forças para atravessar o rio. Caiu na água e pensou que se afogava, pensou que tinha chegado o derradeiro momento. Estava de tal forma enfraquecido que não conseguia nadar. De repente, agarrou-se a um ramo de uma árvore e deixou-se ficar. Foi nesta situação que o assaltou o seguinte pensamento:
«Sefiquei fraco ao ponto de não conseguir atravessar este pequeno rio em pleno Verão, quando é tão escassa a água que nele corre, fazendo-o parecer-se com um simples riacho, ou seja, se eu não consigo atravessar este riacho, como posso querer atravessar o imenso oceano do mundo? Como poderei transcender este mundo? Parece impossível. Estou a fazer uma coisa estúpida.»

O que fazer? Afastou-se do rio ao anoitecer e sentou-se debaixo de uma árvore, que se tornou a árvore sagrada Bodhi, e nessa mesma noite, quando a Lua surgiu (era noite de lua cheia), ele tomou consciência de que todos os esforços são vãos, de que não se atinge seja o que for, de que a simples ideia de realização não faz qualquer sentido. Ele tinha feito tudo. Tinha-se libertado do mundo, do mundo dos desejos. Era um rei e tinha conhecido todos os desejos possíveis, tinha vivido todos os desejos possíveis e tinha-se libertado. Tinha cessado de desejar, e nada mais havia a conquistar. Nada merecia a pena. Durante seis anos. tinha experimentado todas as austeridades possíveis, todos os esforços, todas as técnicas de meditação e de ioga, tudo, e nada aconteceu. Por isso, disse:
– Agora apenas me resta morrer. Não há nada a realizar, todos os conceitos de realização são desprovidos de sentido e os desejos humanos são, sobretudo, fúteis.

Nessa noite, Buda deixou de se esforçar. Sentou-se debaixo daquela árvore e relaxou, sem esforço nem objectivos em mente, sem destino, sem missões a cumprir e sem desejos. Quando se atinge um tal estado, a mente relaxa e, sem futuro, sem desejos, sem objectivos, sem destino, o que é que acontece? Buda limitou-se a sentar-se e tornou-se como a árvore. Dormiu a noite inteira, e mais tarde referiu que pela primeira vez na vida tinha realmente dormido, pois quando se vive em esforço, o esforço mantém-se mesmo quando se dorme. Uma pessoa que dedica a sua vida a ganhar dinheiro e cujo objectivo é ganhar dinheiro continua a contar dinheiro mesmo nos seus sonhos, da mesma forma que uma pessoa que persegue o poder e o prestígio e a política continua em campanha eleitoral nos seus sonhos. Toda a gente sabe que uma pessoa em época de exames na universidade continua em exames quando dorme, pois tem sonhos recorrentes com exames escritos e orais. Qualquer que seja o esforço que estejamos a desenvolver, ele prossegue quando adormecemos, ou seja, o esforço está sempre presente.

Naquela noite o esforço cessou. Buda disse:
– Sinto que dormi pela primeira vez em milhões de vidas. Aquela noite foi a primeira em que eu realmente dormi. Aquele sono corresponde ao estado de samadhi. Na manhã seguinte, quando despertou, constatou que a última estrela já tinha desaparecido do céu. Olhou o céu. Pela primeira vez, os seus olhos foram como espelhos, desprovidos de conteúdo, simplesmente vazios, libertos de projecções. A última estrela estava prestes a desaparecer, e Buda disse:
– Desapareço com aquela estrela. A estrela estava a desaparecer e eu também desapareci.

O ego anda de mãos dadas com o esforço. Quando uma pessoa se esforça, alimenta o ego, ou porque está a fazer alguma coisa, ou a dirigir-se a algum lugar, ou a cumprir um objectivo. Sem esforço, como se pode existir?

A última estrela desapareceu.
– E com ela – relatou Buda – também eu desapareci. Olhei o céu, que estava vazio, e de seguida olhei para dentro de mim, e nada vi. Não havia nada – anatta. Não havia eu. Não havia ninguém.

Conta-se que Buda se riu de todo esse absurdo. Ninguém realiza seja o que for. Ninguém atinge a meta, ninguém atinge a libertação. Não há ninguém, entidade alguma. Tanto no exterior como no interior, apenas existe espaço.

– E foi precisamente nesse instante de total ausência de esforço – relatou Buda – que eu atingi, que eu realizei!

No entanto, não basta uma pessoa sentar-se à sombra de uma árvore, relaxar e esperar pelo momento em que a última estrela desapareça no céu. Não é tão simples como isto – desaparecer com a última estrela. Esse desaparecimento deve ser precedido pelos tais seis anos que Buda viveu. O problema, ou o paradoxo, é o seguinte: ninguém pode atingir seja o que for sem esforço, mas o esforço, por si só, jamais garantiu a realização. Pelo contrário, há sempre realização quando o esforço atinge um ponto em que se desenvolve como que por si próprio.

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Buda trouxe ao mundo uma visão inteiramente nova da meditação. Antes dele, a meditação era algo que se praticava uma ou duas vezes por dia – uma hora pela manhã e outra à noite. Buda interpretou o processo da meditação de uma forma totalmente nova. Eis o que referiu sobre este tema:
– Este regime em que a meditação é praticada durante uma hora pela manhã e outra hora à noite, podendo ser praticada quatro ou cinco vezes por dia, não acrescenta grande valor. A meditação não pode ser feita à margem da vida, durante uma hora ou quinze minutos. A meditação tem de ser intrínseca à vida, tem de ser sinónima da vida, tal como a respiração. Ninguém respira apenas durante uma hora pela manhã e outra hora ao final do dia, e se alguém o fizesse jamais chegaria ao final do dia. A meditação tem de ser como a respiração. Uma pessoa adormecida respira. Uma pessoa em coma respira.

Buda defende que a meditação seja um fenómeno constante, pois só assim se tornará um processo transformador. Por esse motivo desenvolveu uma nova técnica de meditação. A sua mais importante dádiva ao mundo foi o vipassana.

Em páli, a língua que Buda Gautama falava, o termo vipassana…

Comecemos do início: Buda dominava perfeitamente o sânscrito, pois tinha recebido uma educação de príncipe e conhecia a literatura mais erudita da sua época. No entanto, preferiu não falar em sânscrito, porque o sânscrito era a língua dos intelectuais, dos brâmanes e dos sacerdotes, e não a língua do povo. A singularidade do sânscrito destaca-se entre todas as línguas do mundo: era uma língua apenas utilizada pelos eruditos, para falarem entre si, e dada a sua inacessibilidade, acabou por ser mistificada pelas massas. Uma vez traduzido, o sânscrito nada tem de especial, embora possua uma sonoridade muito musical. Em termos de construção é a mais perfeita de todas as línguas. Por outro lado, é muito exaustiva, pois baseia-se num alfabeto de cinquenta e duas letras. O alfabeto da língua inglesa tem apenas vinte e seis, o que significa que os restantes vinte e seis sons nem sequer existem nesta língua. O sânscrito é muito rico, porque exprime todos os sons possíveis. O seu alfabeto engloba certas subtilezas – sons particularmente difíceis de pronunciar, ou raramente utilizados, mas, ainda assim, passíveis de serem utilizados.

No entanto, Buda Gautama optou por falar a língua das massas, o que foi um acto revolucionário, tendo em conta que as línguas das massas não são sequer, regra geral, gramaticalmente correctas. O facto de serem utilizadas por pessoas comuns que ao longo do tempo vão introduzindo alterações fonéticas e sonoras torna as palavras mais fáceis de pronunciar e mais simples. O páli é uma língua de pessoas simples, e, de certa forma, inocentes e ignorantes.

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A Meditação Vipassana

«Vipassana» é uma palavra páli. Em termos literais, significa «olhar», e em termos metafóricos significa «observar» ou «testemunhar».

Buda Gautama adoptou um tipo de meditação que poderia ser designado como essencial. As técnicas de meditação correspondem a diferentes formas de testemunhar, embora o acto de testemunhar seja um elemento inevitável, preponderante em todos os tipos de meditação, e foi precisamente essa parte essencial que Buda manteve, eliminando todas as demais componentes.

Tendo Buda sido um pensador muito científico, atribuiu três estágios ao acto de testemunhar. O primeiro estágio é o do corpo, o mais fácil de testemunhar. É bastante fácil observar uma mão em movimento, um corpo em movimento, cada passo que é dado. É fácil observarmo-nos a comer uma refeição, por exemplo. O primeiro passo do vipassana, e o mais simples, consiste na observação dos actos do corpo. Qualquer método científico começa no estágio mais simples. Quando se testemunha o corpo, surgem novas experiências surpreendentes. Se o leitor movimentar uma das suas mãos com uma consciência concentrada e totalmente direccionada para esse acontecimento, sentirá que a mão emana uma certa graciosidade e um certo silêncio. Quando o mesmo movimento é executado sem essa consciência do testemunhar, torna-se mais rápido, e como que perde a tal graciosidade. Buda caminhava muito devagar, como que em câmara lenta, e muitas pessoas manifestavam o desejo de saber porquê, ao que ele respondia:
– Faz parte da minha meditação, caminhar como se estivesse a percorrer um riacho gélido no Inverno… lentamente e com todo o cuidado, devido à baixa temperatura da água e à forte corrente, observando cada passo, para não escorregar nas pedras que se encontram no fundo.

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Estátua de Buda a caminhar.

O método mantém-se, e o objecto muda a cada passo.

O segundo passo do vipassana consiste na observação da mente. A observação dos pensamentos é um estágio mais subtil. Se você